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Os mitos que permeiam o mundo das armas
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Mito do Stopping Power (poder de parada)

O poder de parada consiste na capacidade de um projétil incapacitar um alvo humano instantaneamente com um único disparo, relacionando-se equivocadamente com veneração à cavidade temporária e com a supervalorização da transferência de energia cinética.

Segundo Oliveira (2019, p.01),

 "A busca por um projétil que incapacite o oponente não é um conceito novo e remonta a Guerra do Ópio em suas sangrentas batalhas, época em que as munições à base de pólvora negra dominaram o teatro de operações até o final do século XlX, no que tange a temática de combate armado. Todavia, o termo com esse nome ganhou força ao final daquele século e é empregado às circunstâncias de incapacitação imediata de quem recebe o disparo".

Assim, no final do século XIX, as munições à base de pólvora negra dominaram os campos de batalhas. Um tenente Coronel do exército britânico chamado Neville Bertie-Clay, percebeu que as munições do fuzil Mark II Lee-Metford[1], calibre .303 British, deixava apenas uma pequena ferida, tendo pouco “poder de parada”, iniciando desta forma a busca por uma nova configuração de projétil que resolve o problema.

Em 1896, Neville Bertie-Clay era o superintendente do arsenal britânico destacado para o departamento de artilharia em Dum Dum no estado indiano de Bengala Ocidental. Desta feita, foram contemplados os projeteis expansivos de ponta oca por nome Dum Dum, desenvolvidos para o calibre .303 British (ou 7,7 × 56 mm R) com o objetivo era “transferir mais energia” ao impactar, produzindo mais lesões ao alvo com sua ponta macia.

Durante a Guerra Filipo-Americana, entre os anos de 1899 e 1902, o Exército Norte-Americano utilizava como arma curta o Revólver Colt M1892, de ação dupla, em calibre .38 Long Colt” (SALA DAS ARMAS, 2019, s/p) Foi constatado uma deficiência relacionada ao referido calibre, visto que os nativos eram resistentes a vários disparos antes de serem colocados fora de combate. Desta forma, em 1904 a comissão Thompson analisando as batalhas ocorridas nas Filipinas, afirmaram que o calibre real deveria ser .45 para armas curtas militares, acreditando ter “maior poder de parada”. Em 1905, John Browning projeta o calibre .45 ACP, criado para ser utilizado no protótipo do que viria a ser a mundialmente conhecida COLT 1911.

Em 1986, no que ficou conhecido como tiroteio de Miami, dois agentes do FBI foram mortos e mais cinco ficaram feridos após intensa troca de tiros que durou cerca de quatro minutos. Neste episódio dois assaltantes de bancos precisaram ser atingidos por seis e doze disparos respectivamente para que fossem neutralizados.

O Federal Bureau of Investigation (FBI) iniciou a busca por um calibre que pudesse ter maior potencial de incapacitação, abandonando o calibre 9 mm Parabellum. Estudos encomendados  pelo FBI as empresas Smith & Wesson e Winchester, viabilizam a redução do estojo do 10mm Auto, projetando desta forma o calibre .40 S&W. Lançado em 17 de janeiro de 1990, o FBI acredita ter alcançado o tão almejado poder de parada.

Em 2017, o FBI volta a utilizar o calibre 9 mm Parabellum, após enorme quantidade de evidências científicas dos laboratórios balísticos comprovarem a eficácia do 9 mm Parabellum. Dentre eles podem ser citados efetividade em neutralização, capacidade de munições, controle de disparos com manutenção da trajetória, recuperação com maior rapidez ao controle dos disparos e custo benefício entre valor e resultados.

O médico militar especialista em ferimentos por projéteis por nome Martin L. Fackler, concluiu através de seus estudos, que a relação entre o “poder de parada” e a munição está diretamente vinculada à biologia de quem recebe o disparo e não ao calibre em si. Além disso, o estado emocional deve ser levado em consideração e não somente a energia cinética liberada pelo projétil traduzida em cavidade temporária (cavitação) no momento do impacto (OLIVEIRA, 2019).

Desta forma, não há um calibre com poder de parada imediata, conforme cita Marshall e Sanow em sua obra “Handgun Stopping Power: The Definitive Study”, onde admitem que o poder de parada é uma ilusão, não existindo “projéteis mágicos” ou calibre “paradores de homens”.

Portanto, resta comprovado que a busca pelo calibre ideal deve seguir outros métodos, pois o tão sonhado stopping power ou poder de parada não passa de uma fábula, pois não há como garantir que uma pessoa atingida por um único disparo seja prontamente incapacitada, salvo se atingir tronco encefálico, especificamente no como bulbo raquidiano, tópico que será discutido mais à frente.


Mito do double tap (toque duplo)

 

Criado pelos chefes de polícia britânicos Willian Ewart Fairbain e Eric Anthony Sykes na década de 1930, a técnica denominada “double tap”, consiste basicamente em dois disparos efetuados no menor tempo possível com o objetivo de potencializar os efeitos da cavidade temporária neutralizando o alvo.

Segundo admiradores da técnica em questão, o fato de disparar duas vezes em velocidade, atingindo pontos de impactos bem próximos (2 a 5 polegadas) “dobraria” as cavidades temporárias, “combinando” os canais de lesão permanente, causando maior trauma e sangramento.

Porém, com estudos mais aprofundados sobre o assunto, restou comprovado ser humanamente impossível sua realização, tendo em vista a velocidade em que a cavidade temporária se alonga e se retrai, restando apenas a cavidade permanente. 

Leandro (2019, p.60), em sua obra nos ensina:

 "Para ser possível a “colisão/soma” das cavidades temporárias, após o primeiro disparo, o atirador deveria ser capaz de realizar o segundo tiro em, no máximo 19 milésimos de segundos (0,019s), pois a duração das cavidades temporárias provenientes de projéteis de armas de fogo oscila entre “5 e 19 milissegundos”.

 Ainda segundo Leandro (2019), um atirador médio é capaz de acionar o gatilho em intervalos de 25 centésimos de segundos (0,25s), ou seja, em média consegue realizar 4 disparos por segundo.

Todavia, para que um atirador consiga materializar a teoria do double tap, teria que ser capaz de disparar, no máximo, a cada 19 milésimos de segundos para que o segundo projétil penetrasse no momento em que a cavidade temporária do primeiro estivesse em curso. Totalizando, para que tal façanha seja alcançada, o atirador teria que ser capaz de efetuar aproximadamente 53 disparos por segundos, restando claro ser humanamente impossível.

Segundo é preconizado neste tipo de técnica, o atirador é condicionado a efetuar dois disparos e fazer a aferição do alvo para checar se ainda representa ameaça. Trata-se de enorme risco, pois, pode ter o agente realizado disparos insuficientes contra a ameaça, dando uma vantagem valiosa de reação ao agressor.

Os adeptos a este tipo de técnica, tem uma supervalorização dos efeitos causados pela cavidade temporária por armas curtas. Somente projéteis de alta velocidade possuem condições de causar danos relevantes quanto a geração de cavidade temporária, pois tem a capacidade de superar os limites de elasticidade dos tecidos afetados.

Outro fator de extrema relevância é o condicionamento do imaginário popular e do próprio Judiciário em considerar que um ou dois disparos são suficientes para repelir uma injusta agressão, considerando um excesso reprovável quantidade de disparos maiores. Todavia o uso da técnica do “Double tap” como solução para combates de armas curtas para incapacitação de alvos humanos, trata-se de um grande equívoco sem fundamento científico.


Autor: Diego Alves Vilela